Uma “invasão” de grilos foi registrada em Parintins na noite desta segunda-feira (4). O problema ocorreu em vários bairros da cidade e causou estranheza e sustos na população.
Os relatos e registros da “invasão” foram compartilhados nas redes sociais.
As histórias descreviam desde o incômodo com a “cantoria” dos grilos até os sustos causados pelos insetos.
No centro da cidade, o morador Iago Carvalho contou que a casa dele foi invadida pelos grilos. “A casa ficou tomada e era uma barulheira só”, relatou o morador.
No bairro Itaúna II, o morador Márcio Guilherme contou que os grilos foram parar no forro da casa dele, onde ficaram pulando a noite toda. “Pareciam até ladrões querendo entrar na casa, tamanha a barulheira. Não conseguimos dormir direito”, contou.
No bairro Emílio Moreira, a moradora Rafaela Luz contou que a noite foi de sustos. “Acordei na madrugada com uma mordida do grilo. Fiquei desesperada, mas eu peguei ele. Depois disso apareceram mais dois e não conseguimos dormir direito em casa”.
Os relatos da invasão também ocorreram em municípios vizinhos.
Motivos da “invasão”
Segundo especialistas, a "invasão" dos grilos em Parintins está relacionada à mudança de estação na região Amazônica. O período de chuvas também marca o período de reprodução das espécies que predominam na região, nesse caso o grilo preto (Gryllus Assimilis) e o grilo marrom (Anurogryllus Maticus).
No entanto, os especialista também apontam que a infestação registrada em Parintins pode estar sendo agravada por questões ambientais relacionadas às queimadas.
"Pelo que nós verificamos, esse fenômeno já ocorreu outras vezes, mas em uma escala bem menor. A maior probabilidade é que este descontrole populacional esteja relacionado às queimadas no entorno da cidade. Quando você queima, você aumenta muito a temperatura do local onde eles vivem e também eles perdem alimentação e o local onde ficar. O ecossistema é destruído e os grilos fazem a migração sempre para um lugar onde tem mais iluminação. Assim eles acabam parando na cidade", explicou o Doutor Fabiano Taddei, biólogo da Universidade do Estado do Estado do Amazonas (UEA).
A Doutora Cynara Carmo também aponta o desequilíbrio ambiental como um dos principais fatores para a infestação dos grilos na Ilha.
De acordo com a bióloga, além da destruição do habitat natural da espécie, também é registrada a redução dos predadores naturais dos grilos, caso de sapos, lagartos e morcegos.
"O aumento das queimadas e do desmatamento das áreas próximas à Parintins intensificam esse processo de migração dos grilos pra cidade. E isso deve continuar pelos próximos 10 ou 20 dias, que é o tempo que os adultos da espécie começam a morrer após o período de reprodução", ressaltou a bióloga da UEA.
A especialista também lembrou que, apesar de inofensivos para os humanos, os grilos podem ser vetores de doenças.
"Por serem onívoros - animais que se alimentam tanto de plantas ou algas, e outros animais - eles vão para o lixo em busca de comida. Por isso podem levar nas patas bactérias e microrganismos que em contato com a água ou alimentos, podem causar doenças em caso de ingestão pelos humanos", alertou a Dra. Cynara Carmo.
A sinfonia dos grilos
Os grilos são animais de hábitos noturnos. Um dos principais incômodos da população com o inseto é o barulho emitido por eles. O "canto" tira o sono dos moradores que estão próximos das áreas infestadas.
Segundo os biólogos, o som reproduzido é a maneira do macho chamar a fêmea para acasalar.
Após o período de acasalamento, as fêmeas da espécie preparam para o período de desova. Cada fêmea bota em média 100 ovos, o que facilita a reprodução acelerada.
A presença dos grilos deve diminuir após o período de reprodução e a população da espécie deve voltar à condições normais nas próximas semanas.
Como amenizar o problema
De acordo com os especialistas, as pessoas podem amenizar os transtornos com os grilos dentro das residências se reduzirem o acesso, abrigo, água e possíveis alimentos que podem ser consumidos pelos insetos. Além disso, manter o quintal limpo e a casa fechada pode evitar a presença dos grilos.
O uso de venenos e inseticidas não é recomendado porque é uma alternativa que resolve o problema de forma momentânea. Os grilos poderão ser controlados, mas a presença de outros insetos importantes para o meio ambiente poderá ser impactada, o que deve ocasionar outros problemas. Além disso, os venenos e inseticidas podem prejudicar o solo e a saúde humana.
Segundo os pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas, não existe uma solução definitiva para a questão dos grilos na cidade e há possibilidade do fenômeno ocorrer mais vezes devido ao descontrole populacional dos insetos, o que é um reflexo do processo de urbanização na Ilha.




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