Orla de Parintins volta a dar sinais de desmoronamento e situação ameaça residências

 

A orla de Parintins voltou a dar sinais de instabilidade após novos indícios de desmoronamento serem registrados em um trecho da Rua Caetano Prestes, localizado entre a Praça Judith Prestes e a Praça Cristo Redentor.

O afundamento do solo, o descolamento da parede de concreto, o rompimento da escadaria e fissuras no meio da rua são indícios de um possível desmoronamento de terras que ameaça a área.

De acordo com a Prefeitura de Parintins, o trecho ameaçado está interditado e vem sendo monitorado desde o início de janeiro, quando os primeiros sinais de ameaça começaram a aparecer.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), o problema é causado pelo "fenômeno das terras-caídas", que afetou diretamente o trecho do muro na Rua Caetano Prestes. Segundo o órgão, a estrutura de contenção não foi comprometida.

“Esse desbarrancamento se faz de forma natural, pela força das águas que provoca o fenômeno das terras-caídas. Porém, a estrutura que contém estaca está íntegra, sem nenhum problema. Nós estamos trabalhando para conter a fuga dessas terras por debaixo. Depois, vamos fazer o reaterro para trazer mais segurança e recompor a calçada do muro de arrimo”, explicou o secretário de obras e infraestrutura, Albano Albuquerque.

"Ruas e casas estão em risco"

Especialista no fenômeno das terras-caídas, o pesquisador Dr. Camilo Ramos, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realiza estudos na orla de Parintins desde 1990. Ele esteve na área da Rua Caetano Prestes em janeiro, quando os primeiros sinais de desmoronamento começaram a surgir. Como ele assegurou na ocasião, a situação de instabilidade aumentaria com o avanço das chuvas na região. O pesquisador voltou a alertar para os riscos no local.

"Tende a desmoronar ainda mais. Houve o rebaixamento da rua, um trecho do muro de arrimo cedeu e pode ocorrer um desmoronamento ainda maior. Isso está acontecendo em decorrência do solapamento, que significa a escavação por baixo do muro. Com as chuvas, a água acumulada no solo provoca um movimento de empurrar o muro de arrimo para dentro do rio Amazonas. Isso requer urgentemente a interdição da rua para evitar danos maiores às residências e uma ação preventiva, neste caso, corretiva, de segurar a estrutura para que não possa cair", alertou o especialista.

Sobre a afirmação da Prefeitura em relação ao não comprometimento da estrutura de contenção, o pesquisador reforçou a necessidade de medidas urgentes para evitar tragédias no local.

"Há uma segurança na estaca. Porém, as partes que não estão seguras pelas estacas vão se movimentar e entrar em um processo de erosão. Tudo vai para dentro do Rio Amazonas, podendo afetar inclusive as residências. É necessária a interdição de toda aquela área urgentemente", ressaltou o Dr. Camilo Ramos.

Restrição para o trânsito de veículos na orla

Além de pontuar a necessidade de medidas urgentes para garantir a segurança no local, os pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas também ressaltaram a necessidade de restringir o trânsito para veículos nas ruas da orla da cidade, principalmente nos pontos mais vulneráveis.

São considerados pontos críticos os trechos nas proximidades da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na área do Porto do Caçapava, no trecho próximo ao Restaurante Comunas, no trecho da Igreja São Benedito e no final da Rua Armando Prado.


Prejuízo público

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, uma área de aproximadamente 4 km na orla de Parintins é considerada ameaçada pelo fenômeno das terras-caídas. 

Um desses trechos fica na área da Rua Caetano Prestes. O local passou por obras nos últimos anos e foi reinaugurado em julho de 2024. De acordo com a Prefeitura de Parintins, mais de R$ 3 milhões foram gastos para os serviços no local.

Segundo a Prefeitura, a situação da orla no trecho da Rua Caetano Prestes é acompanhada de forma constante e dá base para os próximos projetos de manutenção do muro de contenção e de urbanização de toda a orla.

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