Famílias ligadas ao MST ocupam área na Gleba Vila Amazônia e denunciam grilagem em Parintins

Foto: CPT
Cerca de 60 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, no sábado (30), uma área localizada na comunidade Nova Olinda, no km 23 do Assentamento Gleba Vila Amazônia, zona rural de Parintins.

Segundo o movimento, a ação tem como objetivo denunciar supostos casos de grilagem de terras e o avanço da pecuária em áreas destinadas à reforma agrária.

A situação está sendo acompanhada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Amazonas, pelo Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC) e pela Associação de Desenvolvimento Agrário e Comunitário do Assentamento da Gleba da Vila Amazônia (ACOAGVA). 

Segundo o agente pastoral da CPT no Amazonas, Manuel do Carmo, a Gleba Vila Amazônia enfrenta há anos problemas relacionados à concentração fundiária, ocupações irregulares e supostas grilagens de terras.

“A Gleba Vila Amazônia, há bastante tempo, vem sofrendo ameaças e até casos de grilagem de terras por parte de pessoas que não pertencem à área e que não se enquadram nos critérios do módulo rural. Existem terrenos que estão ociosos, ou seja, não estão sendo ocupados, e há também áreas que foram ocupadas ou adquiridas de forma ilegal por instituições, particulares e até fazendeiros, que acabaram se instalando dentro do Projeto de Assentamento (PA) Vila Amazônia.”, afirmou.

De acordo com Manuel do Carmo, o assentamento foi criado para atender trabalhadores rurais e famílias sem terra, respeitando os limites de ocupação definidos em lei. No entanto, ele alega que algumas propriedades estariam concentrando áreas superiores ao permitido, incluindo ocupações atribuídas a instituições, particulares e fazendeiros.

"Todo mundo sabe que um PA, ou seja, uma área destinada à reforma agrária, como é a Gleba Vila Amazônia, exige que as pessoas ocupem os lotes de acordo com o módulo definido pela legislação e pelo INCRA. Nesse sentido, quem está ocupando vários módulos precisa compreender que essas terras devem ser destinadas a trabalhadores e pessoas que não possuem terra. Portanto, essa ocupação, acordada com a Associação dos Assentados da Gleba Vila Amazônia (APA Vila Amazônia), é muito justa.", disse.

Manuel do Carmo destaca que o acesso à terra é fundamental para que trabalhadores rurais possam produzir, sustentar suas famílias e permanecer no campo com dignidade.

"Então, nós estamos aqui dando nosso apoio para que realmente haja justiça. Nós precisamos garantir terra para as pessoas que precisam trabalhar nela. O governo Lula, na realidade, está determinado a atuar nessa questão para que os moradores e as pessoas que necessitam de terra para trabalhar tenham acesso a ela.", disse.

O movimento informou que órgãos federais, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU), foram acionados para acompanhar a situação. A expectativa é que sejam adotadas medidas para apurar possíveis irregularidades e garantir o cumprimento da legislação agrária.

O MST é um dos principais movimentos sociais do Brasil voltados à luta pela reforma agrária. 

Até o fechamento desta edição, os proprietários da área ocupada ou de órgãos de segurança não haviam se manifestado sobre a ocorrência.

O espaço permanece aberto para posicionamentos das partes envolvidas.

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