Projeto valoriza arte indígena com exposição inspirada em toadas dos bois de Parintins

A Casa da Cultura de Parintins é palco para a exposição do projeto “Retalhos de Toadas: Panyë Iandê”, que transforma em artes visuais a força simbólica, espiritual e cultural dos povos indígenas presente nas toadas dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso.

A iniciativa selecionou dez toadas do Festival Folclórico - cinco do Boi Caprichoso e cinco do Boi Garantido - como ponto de partida para a criação artística. A proposta foi levar essas canções a jovens artistas indígenas, que ficaram responsáveis por transformar trechos das toadas em ilustrações.

Para o gestor cultural e proponente do projeto “Retalhos de Toadas: Panyë Iandê”, Thiago Reis, a iniciativa vai além da valorização estética e se consolida como um posicionamento cultural e político, reforçando o protagonismo indígena.

“Nós selecionamos dez toadas, cinco do Caprichoso e cinco do Garantido. E a partir dessas toadas, nós levamos para jovens artistas indígenas para que eles pudessem ilustrar trechos dessas toadas. E hoje nós estamos aqui para realizar o evento de lançamento dessa exposição. É um momento de muita alegria para todos nós, é um momento de muita fé, muita ancestralidade e, principalmente, um grito de resistência Contra todo e qualquer apagamento, tentativa de apagamento e da arte dos povos originários”.

A artista indígena do povo Sateré-Mawé, Kamy Wará, representou a toada Matawi Kukenan, do Boi Garantido 2011, destaca o caráter coletivo e representativo da iniciativa.

“É um momento de celebração, um momento de valorização. Mais uma vez, nós, Povos Originárias, estamos ocupando lugares que é de direito nosso. É um projeto maravilhoso que ressalta ainda essa diversidade de cultura de povos. O projeto Panyë Iandê, que fala sobre todos nós e toda essa diversidade, ele agregou artistas indígenas, artistas de locais de Parintins, pra cada um ficar com uma ilustração”.

Já para Ira Maragua, artista do povo Baré, que expressou “O cativo”, toada do Boi Caprichoso de 2021, a exposição simboliza a união entre os povos e o reconhecimento da cultura ancestral.

“Pra mim é uma grande vitória, até porque não reuniu tão pouco, mas sim o povo Sateré-Mawé, o povo Tikuna, trazer essa união de povos para mostrar uma arte que, através da toada, a gente consegue sentir uma emoção, um sentimento que eles viveram antigamente, é uma alegria grande porque, além de trazer isso tudo, a gente consegue imaginar, através da toada, o que eles sofreram”.

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