Acidente com cobra mostra eficácia do serviço de telessaúde indígena na região de Parintins

 

Foto: Dsei Parintins

Uma indígena foi picada por um cobra na noite deste domingo (23), na comunidade Riozinho, no Alto rio Nhamundá, no município de Nhamundá. O acidente causou ferimentos na vítima e aflição para a família dela, mas também ajudou a demonstrar a eficácia do serviço de telessaúde que começou a funcionar na região de Parintins.

A nova tecnologia ajudou no atendimento de Larissa Aywka, de 33 anos, indígena do povo Hixkaryana. A aldeia onde ela vive é de difícil acesso e o serviço de telessaúde ajudou nos cuidados e evitou a necessidade de remoção para tratamento médico na cidade.

Larissa estava na casa dela quando acabou picada pela cobra. O susto inicial na família deu lugar à eficiência do sistema de Telessaúde, recentemente implementado pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Parintins (Dsei).

Por meio da tecnologia, uma equipe de especialistas da Universidade do Estado do Amazonas avaliou o caso, dando suporte à equipe de enfermagem presente na comunidade. A Dra. Jaqueline Sachett, especialista em animais peçonhentos, identificou a cobra da espécie Erythrolamprus miliaris , mais conhecida como cobra d’água, que não é venenosa. A paciente foi mantida em observação e liberada para continuar o tratamento em casa.

Cobra responsável pelo ataque à indígena Hixkaryana - Foto: Dsei Parintins


"Era um caso que com certeza a gente solicitaria remoção porque nós não tínhamos certeza se o animal era peçonhento. Com o apoio da Telessaúde, em tempo recorde, conseguimos identificar a espécie da cobra e se havia necessidade do antiveneno. Por meio do novo sistema, confirmamos os sinais, sintomas e o tratamento adequado para a paciente, sem precisar que ela fosse levada para a cidade, longe de casa e da família", destacou a enfermeira Vanessa Santos, responsável pelo atendimento da indígena na comunidade.

Telessaúde: inovação e impacto

Inaugurada no dia 21 de março, o sistema de telessaúde indígena promete revolucionar o atendimento médico nas comunidades da região do Baixo Amazonas.

As salas de Telessaúde oferecem para as equipes médicas recursos tecnológicos para diagnosticar e tratar pacientes diretamente nos territórios indígenas, proporcionando consultas com especialistas de qualquer região do país.

Médicos especialistas atendem por meio da telessaúde - Foto: Dsei Parintins


Os equipamentos permitem monitoramento remoto de sinais vitais, como saturação de oxigênio, glicemia, e pressão arterial, além de exames como eletrocardiogramas e análises de problemas auditivos e oculares. Inicialmente, os atendimentos ocorrerão de forma itinerantes nos 12 pólos-base da região, beneficiando 150 aldeias das etnias Sateré Mawé e Hixkaryana, onde vivem cerca de 17 mil indígenas.

A Telessaúde reduz os custos com transferências para as cidades e possibilita diagnósticos mais rápidos, garantindo que os pacientes recebam o atendimento necessário sem precisarem se deslocar.

"Para comunidades remotas, como as atendidas pelo Dsei Parintins, o sistema representa um avanço significativo no cuidado com a saúde indígena, aliando tradição e inovação para preservar vidas indígenas", ressaltou o coordenador do Dsei-Parintins, Mecias Jr.

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