Os profissionais da saúde que atuam na UTI de Parintins, no Hospital Jofre Cohen, seguem com os salários atrasados.
Segundo os profissionais, apesar do Governo do Amazonas ter anunciado no mês passado que entrou em acordo com as empresas privadas que prestam serviços para a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), o compromisso com algumas empresas e cooperativas não foi cumprido.
É o caso da Cooperativa dos Enfermeiros do Amazonas (Coopeam), que conta com a maioria dos servidores que atuam na UTI de Parintins. Eles alegam que a falta de pagamento já chega ao 5º mês.
A situação tem causado uma série de prejuízos e constrangimentos para os profissionais da UTI de Parintins. Na última terça-feira (02/01), os profissionais foram ajudados com cestas básicas doadas por amigos do Hospital Jofre Cohen e da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo os profissionais, a ajuda tem sido fundamental para eles não passarem fome com a família.
“É um grande constrangimento a gente vir trabalhar e não ter o pagamento. A gente passou o réveillon, teve o natal e nós olhamos para nossas famílias com tristeza diante dessa situação de estar trabalhando sem receber. Isso é uma falta de respeito com nós, trabalhadores, porque nós estamos cumprindo com o nosso serviço, não estamos faltando e nós precisamos do nosso pagamento”, reclamou a técnica de enfermagem Elionara Filizola.
Falta de compromisso do Governo do Amazonas
Por meio de nota, a Coopeam informou que, juntamente com outras empresas terceirizadas que prestam serviço para a SES, realizou tratativas com o Governo do Amazonas para solucionar a questão dos salários atrasados no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região. Audiência que foi acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho.
Apesar do descumprimento do acordo extrajudicial, que previa o pagamento para ao dia 27 de dezembro de 2023, alguns pagamentos foram efetuados no dia 28 de dezembro. Mas nem todos os acordos foram cumpridos.
Conforme a nota, no caso dos profissionais da Fundação de Medicina Tropical e Fundação Adriano Jorge, ambas em Manaus, e Hospital Jofre Cohen, em Parintins, as pendências continuam.
Os profissionais de Parintins foram os primeiros no Estado a tornarem públicas as cobranças pelo pagamento dos salários atrasados.
Diante da crise, em dezembro, profissionais da saúde que atuam em empresas privadas que prestam serviços para a SES em todo Estado anunciaram a redução nos serviços por falta de pagamento e precariedade no sistema de saúde.
O protesto só encerrou após um acordo proposto pelo Governo do Amazonas no dia 22 de dezembro. Compromisso que, segundo os profissionais de Parintins, até agora não foi honrado,.
“Nó nos sentimos enganados, humilhados. Acreditávamos que nossos problemas seriam resolvidos, mas o Governo só fez promessas falsas e até agora seguimos na mesma situação. O sentimento é de humilhação”, enfatizou a técnica de enfermagem Márcia das Neves enquanto recebia a cesta básica doada pelos colegas de trabalho.
Segundo o Hospital Jofre Cohen, 42 profissionais atuam na ala de UTI da unidade. A maioria está afetada pela falta de pagamento.
Por meio de nota, a direção do Hospital Jofre Cohen esclareceu que apesar dos profissionais atuarem na UTI da unidade, o pagamento deles é responsabilidade da Coopeam que, por sua vez, recebe valores da Secretaria de Estado de Saúde - SES.
Na nota, a direção do Hospital ainda repudiou a falta de pagamento dos colaboradores, que já chega ao 5º mês, e se solidarizou com os profissionais, garantindo que apesar dos atrasos, os atendimentos seguem mantidos.
A reportagem também procurou o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), em Parintins, que também acompanha a situação dos profissionais da UTI do município, mas até o momento o órgão ainda não respondeu as solicitações de esclarecimentos.
A Secretaria de Estado de Saúde e o Governo do Amazonas também foram procurados para prestar esclarecimentos e a reportagem aguarda respostas.
Confira as notas na íntegra:
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