Renato Santana
As ameaças de envenenamento da água de comunidades Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, revelam um cenário de violência e discriminação que vai além do período eleitoral. O alerta foi feito por Voninho Benites, coordenador da Aty Guasu, após a circulação de áudios com ameaças contra indígenas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O autor das gravações seria um servidor da Prefeitura de Tacuru, afastado após a repercussão do caso.

A liderança indígena afirma que situações semelhantes já ocorreram em outras comunidades, incluindo denúncias de contaminação de rios e córregos por agrotóxicos, com impactos sobre a saúde dos moradores.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) destaca que os ataques estão relacionados à disputa territorial e à demora na demarcação das terras indígenas. Casos registrados em Guyraroka, Panambi-Lagoa Rica e outras comunidades mostram a recorrência de ameaças, violência e contaminação ambiental.

Segundo levantamento do Cimi, o Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, 102 casos de violência contra indígenas, incluindo 37 assassinatos. Diante das novas denúncias, a Funai acionou a Polícia Federal para investigar os episódios.